economia de energia elétricaNo artigo passado apresentamos várias dicas sobre como reduzir o consumo de água em condomínios. Suas ações já fizeram a conta de água diminuir?

Outro item que representa um dos maiores gastos em condomínios é a energia elétrica. Muitos culpam o ar condicionado pelo aumento da conta de energia elétrica no verão. Mas será que ele é o único culpado?

Nos condomínios, existem gastos de energia elétrica em áreas comuns e ainda em todos os sistemas e processos que precisam de eletricidade para funcionar. Algumas ações simples podem fazer uma grande diferença na conta de energia elétrica mensal, ao longo do tempo.

O primeiro passo é olharmos na fatura o consumo mensal e a média de consumo em quilowatt-hora (kWh) ao longo do ano. O valor em reais é composto de taxas como impostos, bandeira amarela ou vermelha, multa e juros por atraso de pagamento, que podem mascarar a observação de alteração da nossa fatura, de um mês para outro.

Além disso, outras mudanças podem trazer redução significativa.

1. Substituição de lâmpadas para LED

Substituir lâmpadas incandescentes ou fluorescentes por lâmpadas LED reduz o consumo de energia em até 70%.

Além da iluminação, este tipo de lâmpada reduz o calor no ambiente, o que irá diminuir a necessidade de ar condicionado. Evitar pintar paredes e tetos com cores escuras também auxiliam na redução do consumo de energia elétrica, pois elas refletem menos luz e exigem lâmpadas mais potentes que, consequentemente, consomem mais energia.

Sempre que possível, favoreça a iluminação natural em ambientes como o hall social, salão de festas, salão de jogos, deixando as janelas, cortinas e persianas abertas.
Um detalhe importante é a garantia que as lâmpadas LED oferecem. Anote a data da instalação. Caso a queima da lâmpada ocorra dentro do prazo de garantia, a substituição pode e deve ser feita no local da compra.

Observar a garantia oferecida pela marca no momento da escolha, além da qualidade, poderá impactar na economia de energia elétrica ao longo do tempo.

2. Instalação de sensores de presença

sensores de presençaO hábito de desligar as lâmpadas ao deixar as dependências, muitas vezes, não é compartilhado por todos. Para melhorar isso, pode-se instalar sensores de luz em locais estratégicos, principalmente em garagens, pátios, elevadores e corredores.

A luz acionada apenas quando detecta a presença de alguma pessoa ou carro é eficaz na redução de energia, principalmente, nos horários de baixo deslocamento de moradores. É importante observar se a falta de iluminação não compromete a segurança em algumas situações.

3. Atenção aos elevadores

elevadorElevadores antigos, além de exigirem diversas manutenções, geram mais gastos quando o assunto é energia elétrica, uma vez que os modelos atuais foram pensados para consumir menos energia, uma redução que pode chegar a 40%.

Estude a possibilidade de desligar diariamente, de maneira alternada, um dos elevadores. Como a circulação de pessoas entre 22h e 5h é menor, deixar um equipamento desligado ajuda a economizar energia.

Geralmente, as luzes da cabine do elevador ficam acesas durante as 24 horas do dia. Isso faz com que esse ambiente seja um dos grandes vilões do gasto energético no condomínio. O recomendado é optar por LED’s para o local, o que representa uma diminuição de até 70% no consumo de energia da cabine.

4. Substituição de equipamentos antigos

Nas áreas comuns dos condomínios, existem muitos equipamentos antigos que podem ser trocados e que irão proporcionar uma economia considerável de energia.

No salão de festas, verifique o estado de geladeiras, freezers, ventiladores, condicionadores de ar ou qualquer outro equipamento. Esse é o primeiro passo para uma possível troca por modelos atualizados e com tecnologia que reduzem o consumo.

Um exemplo interessante: na portaria de um condomínio, estavam disponíveis um condicionador de ar móvel para o verão e um aquecedor elétrico para o inverno. Foram substituídos os dois equipamentos por um condicionador de ar inverter quente e frio, o que proporcionou uma economia considerável de energia, além de melhorar o conforto do ambiente para os colaboradores.

As bombas e motores antigos dos diversos sistemas do condomínio também podem consumir muita energia elétrica. A troca por equipamentos mais modernos, além de representar uma economia de energia, evita a sua constante manutenção.

5. Verificação das instalações elétricas

Entre os especialistas, o entendimento é que a durabilidade das instalações de um empreendimento gire em torno de 30 anos. Podemos imaginar como a demanda por energia elétrica dentro das unidades mudou neste período.

A estimativa da Procobre, instituição que promove estudos e pesquisas sobre o uso de cobre na América Latina, é de que a demanda por energia elétrica aumentou em seis vezes nos últimos anos.

Para ilustrar a situação, na década de 1980, um modelo comum de chuveiro era de 1.800 watts. Hoje, a potência do aparelho chega a 7.800 watts. No passado, um fio de bitola de 2,5 milímetros era mais que o suficiente para suprir as necessidades de uma casa. Agora, essa medida é de 6 milímetros.

Se a instalação elétrica de todo o empreendimento é antiga ou não está apta para tanta demanda, pequenas falhas começam a acontecer: energia que vive caindo, luz piscando, tomadas que esquentam, pequenos choques, quedas dos disjuntores, cheiro de queimado ou aparecimento de fumaça.

Esses sinais mostram que a rede elétrica precisa de uma intervenção. Por isso, um zelador atuante pode ajudar, e muito, a captar os primeiros sinais de que algo não vai bem, ao relatar imediatamente para o síndico.

Em prédios com mais de 30 anos, talvez seja necessário rever toda a parte elétrica – saber se o condomínio conta com um aterramento adequado e se segue as recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como um dispositivo de proteção diferencial residual, obrigatório em edificações, desde 1997.

Além de adequar as instalações do condomínio, essas melhorias também reduzem ou eliminam fuga e, consequentemente, o desperdício de energia elétrica. Estudos apontam que uma estrutura adequada reduz, em média, 5% do valor da conta de energia.

6. Avaliação da energia reativa excedente

Seu condomínio pode estar sendo cobrado por gastar “energia reativa excedente”. Trata-se de uma energia que não executa nenhum trabalho, mas ajuda outros componentes a fazê-lo.

Alguns condomínios chegam a pagar R$ 800,00 na conta de energia por esse “adicional” e, muitas vezes, nem sabem que estão sendo cobrados por isso. Uma empresa especializada pode sugerir a compra de um banco de capacitores para “corrigir” esse consumo, além da substituição dos equipamentos que estejam gerando essa energia reativa, que normalmente são os mais antigos e que apresentam menor proficiência energética.

Para saber se o seu condomínio está sendo cobrado por esse consumo, procure na fatura por “energia reativa excedente” ou pelo consumo em kVArh (quilovoltampèrereativo-hora).

7. Estudo sobre energia fotovoltaica

painel solarO avanço da tecnologia e os custos de instalação cada vez mais acessíveis estão fazendo a utilização de placas de energia solar fotovoltaica virar uma realidade em condomínios.

Em outros países isso já é largamente utilizado há muitos anos. A energia vinda do sol não serve mais apenas para esquentar a água do chuveiro, como muitos estão acostumados a ouvir.

Esta tecnologia permite que o condomínio “gere”, em alguns casos, quase que totalmente a energia consumida nas áreas comuns. Como energia fotovoltaica é um assunto bem extenso, falaremos sobre ele nos próximos artigos.

Acompanhe a série com as dicas de economia para redução de custos no seu condomínio, em breve, traremos novos conteúdos.

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KlausKlaus Stucker
É engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Coordenador do Núcleo Multisetorial de Condomínios e Prestadores de Serviço da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF). Atua no segmento de treinamento e capacitação há mais de 20 anos. Presta consultoria nas áreas de organização financeira, gestão condominial e manutenção predial. Exerceu a função de síndico, nos últimos três anos.

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